Já que todo mundo tá fazendo isso, resolvi fazer um Top 3 de tudo o que ouvi/li/joguei/vi nesses últimos dez anos. E cara, passou rápido demais!
O que eu vi
3. Marcas da Violência (A History of Violence) – David Cronenberg (2005)
Cronenberg é sádico, viril e até mesmo violento. E é assim que Marcas da Violência é. Mostra, ora com delicadeza, ora com extremo impacto, como a violência é um valor inerente ao ser humano e como ela pode não só ser compreendida, mas deve ser aceita. Em um nível mais profundo, o roteiro mostra que é necessário ser violento. Cronenberg conseguiu dar um tom doloroso ao filme que fica meio impossível de não se sentir incomodado. A construção dos personagens é tão milimetricamente pensada, que influencia a empatia do espectador para com os eles. E olha que são grandes personagens, encabeçado por um Viggo Mortensen inspiradíssimo.
2. Closer – Perto Demais (Closer) – Mike Nichols (2004)
Taí o filme essencial para entender as relações na época onde vivemos. É talvez a obra mais intimista de Nichols – e também aquele que mais consegue fazer refletir. E olha que tinha tudo para se tornar apenas um cinemão, graças ao elenco recheado de estrelas. Natalie Portman está emblemática e sensual na medida exata. Clive Owen amargurado e dolorido de uma maneira ímpar. E o final ainda guarda a cena mais simples e bela da década (ah, e ainda tem Damien Rice para arrancar lágrimas no fim).
1. Sobre meninos e lobos – (Mystic River) – Clint Eastwood (2003)
Taí um filme que me marcou pra caramba. Lembro que assisti meio que ao acaso e sem grandes pretensões. Logo nos primeiros dez minutos, não tem como não se prender a história dolorosa, íntima e brutal. As atuações de Sean Penn e Tim Robbins estão incríveis, na medida exata, sem exageros. O filme consegue enveredar pelo suspense sem se tornar um drama comum – coisa que só o mestre Eastwood pode conseguir. É o filme da década pra mim porque conseguiu me fazer refletir, me fazer pensar e continuar na minha lembrança até hoje – mesmo cinco anos após eu tê-lo assistido.
O que eu li
3. 1822 – Laurentino Gomes
Sim, eu adoro história. E história do Brasil ainda mais. E esse livro tem uma fluência tão incrível que eu fico me perguntando de onde o Laurentino Gomes conseguiu tirar tanta inspiração. É um livro longo, uma leitura de fôlego detalhada e reveladora, mas ao mesmo tempo consegue ser cômica e adquirir ares de livro de aventura. Brilhante.
2. Poemas Completos de Alberto Caeiro – Fernando Pessoa
Eu sempre gostei de Fernando Pessoa, mas nunca tinha lido a fundo sua obra. Em 2007 li o tal Poemas Completos de Alberto Caeiro, uma obra que mostra toda a sabedoria do mais completo dos heterônimos de Pessoa. Caeiro consegue oferecer uma linguagem simples – tão fluente que parece próximo da oralidade. Isso sem esquecer que ele consegue ser intimista e inspirador – algo muito próprio do Fernando Pessoa.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é ambição minha.
É a minha maneira de estar sozinho.
1. Angústia – Graciliano Ramos
Outro livro antigo, mas que só tive a oportunidade de ler em 2005. Aqui é possível evidenciar todo o estilo Graciliano de escrever. Só que ao contrário do extremamente direto Vidas Secas, em Angústia o autor conseguiu ser mais intimista e psicológico. O personagem principal é tão doído e humano que em meio a minha leitura se confundia com minha própria pessoa. Mudou minha maneira de ver o mundo – e me fez pensar sobre o rumo que eu estava dando pra minha existência.
O que eu ouvi
3. Rascal Flatts – Me and My Gang (2006)
Sim, eu gosto de Country americano. E sim, eu encontrei o Rascal Flatts ao acaso. E essa simpática (na falta de um adjetivo melhor) banda me cativou com suas letras otimistas – flertando com o gospel tamanha é a positividade de algumas composições. Só que o Me and My Gang tem uma inquietude dolorosa que me conquistou. É o álbum mais maduro e mais completo deles, mostrando todo o belíssimo trabalho vocal do Gary Le Vox.
If it's cold outside… show the world the warmth of your smile
2. Snow Patrol – Eyes Open (2006)
Outra obra de 2006, outro álbum que me marcou ao extremo. É engraçado pensar que Snow Patrol nem existia na minha vida antes de 2007. Hoje, não dá mais pra viver sem. É a minha banda favorita, aquilo que me toca intimamente, aquilo que me faz sentir mais feliz. Música para os momentos tristes e também pra quando eu preciso apenas cantarolar alguma coisa. Snow Patrol diz muito sobre quem sou.
1. Dixie Chicks – Top of the World Tour (2003)
Esse álbum é curioso. Só ouvi ele em 2008, de forma extremamente tardia. Naquela época, as Dixie Chicks já andavam mal das pernas e próximas de deixar de existir (o que realmente acabou acontecendo). Só que isso de forma alguma isso minimizou a emoção que é ouvir esse álbum. Para quem não sabe, ele foi gravado ao vivo, na tal polêmica turnê Top of the World, que acabou provocando uma verdadeira cruzada contra o grupo (se quer saber mais, veja o documentário Shut Up and Sing). Cada uma das canções recebeu um cuidado super especial com os arranjos, para evidenciar o trabalho de voz de Natalie Maines – conseguindo transmitir uma emoção incrível. É um álbum para apagar a luz do quarto, colocá-lo pra tocar e deixar a mente cuidar do resto.
O que eu joguei
3. Beyond Good & Evil – Ubisoft – GameCube - 2003
Esse é um daqueles games que dá orgulho de jogar, mesmo sendo curto demais. Mistura uma história fantasiosa cheia de referências, um excelente visual, uma personagem principal carismática, filosofia, história e ética. Essa mistura toda poderia soar pretenciosa – e realmente o é – mas BG&E é tão bom, bem projetado e perturbador que vale cada minuto.
2. Resident Evil 4 – Capcom – GameCube – 2005
Se existe um game de ação mais inspirado que esse, eu desconheço. A Capcom conseguiu oferecer uma história bem interessante (apesar de simples), uma ambientação soberba, desafio na medida e uma jogabilidade simplesmente fantástica. Aliás, vale lembrar, RE4 ganhou versões para todo e qualquer console da época, inclusive uma versão cheia de extras para o Wii que é simplesmente imperdível
1. Super Mario Galaxy 2 – Nintendo - Wii – 2010
Sim, ele é o game da década. Polêmico? Talvez. Mas esse foi o game que me fez jogar do início ao fim com um grande sorriso estampado no rosto – e olha que enquanto jogava ele, alguns problemas me fizeram ter a sensação de que o mundo iria cair sobre a minha cabeça. Esse é o game mais inspirado, inventivo, completo e divertido que eu já joguei.
E nesses dez anos não teve ninguém que sequer chegou perto.