Ele andava rápido pela rua. Tão rápido que o toque do sapato no cimento fazia um barulho alto, de um jeito que chamava a atenção de todo mundo. Mas ele não parava. Na verdade ele mal percebia que estava chamando a atenção de tanta gente assim. Ele não sabia que estava chamando a atenção.
No semblante, ele trazia a dor de quem acabara de superar um dos momentos mais ruins de sua curta vida. Curta, porque ele não aparentava ter mais que vinte anos.
Seu caminho parecia estar longe. A velocidade do seu andar era tão grande, que era possível ver a tensão de suas pernas, perto da estafa muscular. Mas ele simplesmente não percebia. Ele tinha um lugar pra chegar. E era importante. Muito importante.
E foi então que ele correu o mais rápido que pode. Tão rápido que as lágrimas que agora caíam de seus olhos saltavam com voracidade, como um ser com vida própria que queria abandonar aquele corpo.
A dor parecia insuportável. Tão insuportável que ele caiu. Sentiu o mundo girar, empalidecer, fugir da frente dos seus olhos. As vozes e os gritos de socorro ao seu lado pareciam tão longe… e ele tinha a sensação de estar dormindo. E o sono foi ficando profundo… profundo…
E a dor, toda essa dor que ele sentia terminou. Era o fim. Sentiu o corpo pleno. Pronto, terminou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário