Amanhã é o último dia importante desses mais de 1000 que passei na UEL. Pode parecer que passou rápido, mas nesses quatro anos eu vivi tanta coisa… mudei tanto… cresci tanto… aprendi tanto… É engraçado como tudo é um processo, e na verdade você pouco percebe no dia a dia o quanto aquilo de trouxe de novo. Só que se você parar pra pensar e pra avaliar, vc percebe que hoje é uma outra pessoa – muito diferente daquele poço de insegurança que conquistou aquela vaga na UEL em 2007.
Era um menino bobo, inocente e principalmente sonhador aquele que adentrou os limites do CECA. Me lembro bem que não sabia onde era nada, absolutamente nada. Era a primeira vez que eu estava ali. No primeiro momento, perguntei pro Seu Luís onde era a sala de aula do primeiro ano. Sempre atencioso ele me explicou direitinho, tanto que consegui chegar lá sem maiores problemas. Na porta encontro o Adam encostado, com um semblante apreensivo. Puxei assunto e ficamos por um tempo conversando. Logo chegou o César, Márcia, Felipe, Thais, Kiki, Henrique… e tantos outros.
Lembro bem que eu tinha uma vontade imensa de conhecer todo mundo, saber o cada um pensava, como agia, o que esperava. Mas eu era tão tímido q só troquei meia dúzia de palavras com alguns (poucos) colegas de sala. A primeira aula foi da Maria Helena, que ainda conservava o jeito bravo e disciplinador das professoras da época do colégio. Sentei entre a Kiki e a Thais. Lembro que as duas me encantaram rapidamente. Sabia que ali estavam duas grandes amigas… e não me enganei.
É estranho porque logo depois veio o trote… e eu raramente lembro dos momentos em que ele aconteceu. Deve ser culpa da minha memória seletiva, sei lá. Só lembro que foi ruim, mas não sei ao certo porque.
Esse meu primeiro ano na UEL foi horrível, salvo raras exceções. Eu me sentia muito inferior ao resto do pessoal, tinha problemas com meu jeito, minha aparência e principalmente minha capacidade. Foi só lá no final do ano que as coisas mudaram… Lembro claramente da Karen Debértolis elogiando um texto meu e dizendo que eu escrevia direitinho pro jornalismo. Cara, aquele foi meu primeiro elogio em todo o primeiro ano – e olha que eu me esforcei muito pra merecer ele…
No final do ano, um baque. A Kiki resolveu abandonar o curso. Não era o que ela queria, ela estava infeliz. E eu não poderia se egoísta a ponto de pedir pra ela ficar. E olha que eu fiz o que eu pude: trabalhos, matérias, tentava animá-la, jogar conversa fora, andar pelo calçadão da UEL à toa… qualquer coisa. E nada surtiu muito efeito. (O bom é saber que hoje ela está feliz – o que também me faz muito feliz).
E é tão bom ver onde aquele menino que não conhecia nada da vida chegou… Meu, sou alguém completamente diferente hoje… e no melhor sentido que essa expressão pode ter. Apesar da vida estafante e dos problemas constantes, não troco essa personalidade construída ao longo desses anos por nada. A UEL me deixou muitas marcas. E eu vou lembrar com carinho de todas elas pra sempre.