Será que algum dia poderei estar plenamente tranquilo, apoiado pela minha família, com os pensamentos no lugar, feliz? Isso sempre me pareceu tão utópico, desde a infância, onde tive uma relação muito mais forte com a minha tia do que com a minha mãe. Minha mãe é uma pessoa complicada: conta mentiras, palpita demais, foge dos problemas, é superprotetora e tem um complexo de vítima que me deixa profundamente irritado.
Acho que a minha maior irritação é ver que ela exige dos filhos o que nunca deu para eles: carinho, afeição, atenção, cuidado, preocupação… Nunca tive uma mãe presente nas reuniões de colégio, nas datas festivas. Poucos foram os aniversários que foram lembrados. Poucos foram os abraços que eu recebi.
Mas isso não me tornou amargurado. Me tornou ainda mais amoroso. Talvez para não repetir o estigma. Graças aos céus, sou uma pessoa muito atenciosa, preocupada, engajada. As vezes me torno chato pelas perguntas. As vezes me torno humilde com as palavras. Mas digo que sinto estar fazendo o meu papel muito mais do que fizeram por mim.
Acredito na Corrente do Bem. Inclusive com a morte e o choro no fim.
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