Na maioria dos momentos da nossa vida temos que conviver com sensações dilacerantes. Talvez aquela hora em que você pensou que fazia o certo ou agiu só por impulso seja menos marcante do que a hora que tudo parecia bem e você transformou seus pensamentos em palavras na hora errada. Nem sempre tudo o que precisa ser dito deve ser dito. Os nossos pensamentos dilaceram nossa felicidade. Tornam as dificuldades impostas pela nossa mente complicadas de serem transpassadas. Será que só pelo fato de ser pensante vale a pena pagar o preço? Eu sempre penso comigo mesmo se algum dia vou oferecer o perdão como alternativa pras minhas angústias. Porque será que acho que nunca faço o suficiente, quando na realidade sempre estou fazendo o meu máximo?
Tenho certeza que as objeções que o destino coloca ou retira da nossa convivência talvez devessem de alguma forma acontecer, sem ter necessariamente alguma relação com o que eu fiz, ou pior, com o que eu deixei de fazer. Torço pra que chegue o dia em que eu me importe menos. Não com o que as pessoas vão pensar (já passei dessa fase), mas pensar menos se estou fazendo o certo, se devo colocar em risco o óbvio, se devo me aventurar, me conhecer melhor, dar uma chance pra fortalecer as possibilidades. Lá fora existem tantos universos para serem vividos, tantas diferenças para serem suplantadas que eu me pergunto se ficar fechado no meu mundinho perfeitinho não me torna um covarde e fraco perante tudo o que a vida me oferece. Ficar preso em si mesmo não é a mais interessante das sensações. Se prender exageradamente a si mesmo é como estar refém do seu próprio carma, do seu próprio estigma. Não há carmas ou estigmas. Existem pessoas com pensamentos além do que deveriam e que insistem em deixar de viver. Possibilidades. Há tantas delas depois da porta. Mas por que será que preferimos deixá-la trancada e engolir a chave?
Quando a gente acha que tem todas as respostas, vem a vida e muda todas as perguntas ... (L.F. Veríssimo)
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